quinta-feira, 17 de julho de 2014

Um inútil documento chamado título de eleitor

O eleitor não precisa do título para votar e, sozinho, o pedaço de papel verde não serve para nada.

Em cerca de 30 países do mundo, incluindo o Brasil, o voto é obrigatório.
Argentinos, bolivianos, chilenos, equatorianos, paraguaios, peruanos e uruguaios estão entre os cidadãos obrigados a depositar seus votos na urna ao passo que o voto é facultativo entre os países que integram o G-8, por exemplo: Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão, Reino Unido e Rússia.
O título de eleitor é o documento que comprova a inscrição do cidadão na Justiça Eleitoral estando assim apto a exercer o direito de escolher seus governantes.
No Brasil, para abrir uma empresa, entrar numa concorrência oficial, tirar um passaporte, tomar um empréstimo bancário, fazer um concurso público ou se cadastrar em benefícios sociais, o cidadão é obrigado a apresentar o título de eleitor.
Para votar, no entanto - pasme e acredite – o documento não vale. Não serve para o que se destina. Em outras palavras, o título de eleitor - documento obrigatório a todos os cidadãos com mais de 18 anos e facultativo para aqueles entre 16 e 18 ou com mais de 70 – é tão inútil para votar quanto é imprescindível para “burocratizar”, por incrível que pareça.
O cidadão não vota se apresentar somente o retângulo verde de papel que se configura em uma anomalia burocrática e atrasada que nos torna suspeitos para votar até que provemos quem somos.
Por um cochilo da burocracia tupiniquim, o título foi concebido sem a fotografia do eleitor. Assim, ao se apresentar à zona eleitoral, na hora de votar, não é possível digitar o voto na urna eletrônica exibindo somente o título de eleitor ao mesário.
Curiosamente, pode-se votar apresentando apenas a carteira de identidade, ou o certificado de reservista, ou a carteira de trabalho, também a carteira nacional de habilitação ou mesmo o passaporte, sem a necessidade sequer de apresentar o título de eleitor – documento assinado pelo presidente do TRE estadual e do qual constam, além da assinatura do eleitor (ou seu polegar impresso), o seu nome completo, a data de nascimento, o número de inscrição, a zona e seção eleitorais, o município de origem e data de emissão. Todos esses dados para nada.
Falam-se tanto nos avanços do voto eletrônico e na lei da Ficha Limpa para moralizar a classe política. E mais uma vez, deixaram o eleitor em segundo plano.

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