terça-feira, 2 de junho de 2015

Farol: moradores contam "Qual o maior problema da sua localidade?"

A população reclamou do abandono, da falta de CEP, do transporte público, da saúde etc

A localidade de Farol de São Thomé costuma ficar superlotada no verão, mas poucos sabem que cerca de 25 mil residem ali durante todo o ano, em sua maioria pescadores, comerciantes e aposentados. Para eles, a baixa temporada traz sossego, mas também prejudica a economia. Muitos reclamam do abandono por parte do poder público municipal e reivindicam mais projetos que possam atrair turistas ou iniciativas que despertem o interesse de empresas de se instalar no local.

Este ano, marcado pela crise nacional, tem sido difícil, segundo a população. Após o que consideram “o pior verão da história”, a maioria dos estabelecimentos comerciais está com as portas fechadas e não são poucos os moradores que passam por dificuldades financeiras. A infraestrutura da localidade também “deixa a desejar”: faltam serviços básicos, como atendimento médico e transporte público, e nem mesmo o código de endereçamento postal (CEP) as ruas possuem.


Para conhecer um pouco mais da realidade dos moradores de Farol de São Thomé, a equipe de reportagem do jornal Terceira Via esteve no lugar e perguntou: “Qual o maior problema da sua localidade?”. Confira o resultado da enquete:

“O maior problema do Farol de São Thomé é o abandono. Durante o verão as ruas ficam cheias, mas nas outras estações os moradores são deixados de lado. Além do Verão da Família, só existem dois eventos, o Festival de Forró e o Festival de Petiscos, mas não têm apelo o suficiente para atrair muitos visitantes. Falta investimento, mas antes falta interesse do poder público”.
Letícia de Souza, 25 anos, dona de casa.

“A saúde tem sido uma reclamação constante da população. Temos dois postos médicos, mas se precisarmos de um atendimento mais especializado, temos que ir para o Hospital São José, em Goitacazes. A minha avó tem 84 anos, sofre de Mal de Alzheimer e não tem condições físicas de enfrentar uma viagem uma vez por semana. Ela precisa fazer fisioterapia, mas como aqui não tem, abrimos mão do tratamento”.
Leonardo Cândido, 29 anos, encanador industrial.

“Para o governo, o Farol só existe no verão. A impressão que temos é que apenas os turistas têm valor. Os 25 mil moradores são esquecidos!”.
Geane Helena Ribeiro, 40 anos, comerciante.




“Uma dificuldade que nós, moradores, enfrentamos é o transporte público. Os ônibus não têm horário certo para circular e a espera geralmente ultrapassa duas horas. A condução que faz a linha circular no Farol é ainda pior. O que nos resta são as vans, mas o valor da passagem é maior”.
Marcos Henriques, 52 anos, trabalha embarcado.



“Antigamente tinha médico todos os dias no posto de saúde do Farol, mas agora só atendem emergência. No posto de Lagamar, só tem médico uma vez por semana. Se precisarmos marcar consulta com um ortopedista ou oftalmologista, temos que ir para Baixa Grande ou para Goitacazes”.
Rosária de Fátima Rangel, 55 anos, dona de casa.


“Como todos já sabem, o Farol só é lembrado no verão, mas esse ano nem isso nós tivemos. O verão foi péssimo. Os shows não agradaram, mudaram o local do palco... Meu pai tem uma sorveteria há 62 anos e nunca vendeu tão pouco quanto esse ano. Também não temos policiamento. Chamei uns amigos do Rio de Janeiro para passar uma semana aqui e eles foram assaltados na beira da praia. Fiquei morrendo de vergonha, pedi desculpas, mas acho que eles não voltam”.
Márcia Valéria Ferreira, 49 anos, técnica de Enfermagem.

“Eu faço parte do Núcleo de Educação Ambiental da Região da Bacia de Campos (NEA-BC) e estou lutando pela distritalização do Farol. Hoje nós não temos CEP. O CEP daqui é parte de Mussurepe e parte de Santo Amaro. Para receber correspondência ou quando fazemos compras pela internet, a encomenda demora quase um mês para chegar. Isso quando não se perde no caminho. Precisamos escrever uma referência enorme para auxiliar o carteiro ou a transportadora. Já encaminhamos um Projeto de Lei ao Executivo requerendo que o Farol deixe de ser uma localidade e se torne um distrito, somente assim teremos uma identidade”.
Izabela Appolinário de Souza, 25 anos, assistente de Mobilidade e Logística.

“O Farol não tem sequer uma rede de esgoto. Na época da pesca, todos os resíduos são jogados em um canal na entrada da localidade, próximo ao heliporto e o mau cheiro ali é insuportável. Essa é uma das praias mais ricas do país, porque é daqui que sai o petróleo, mas os moradores não veem nem mesmo a cor do dinheiro”.
Jean Carlos Santana, 56 anos, vendedor de camarão.

“O comércio no Farol é muito fraco. A maioria das lojas só funciona no verão e não temos sequer um supermercado grande, com promoções, para fazermos as compras do mês. A internet também não chega aqui, só o sinal via rádio, que é ruim. Não parece que moro na única praia da cidade, a impressão que tenho é que eu vivo no interior”.
Gisele Renata Alves Barcelos, 36 anos, dona de casa.


“O que falta no Farol é uma agência bancária. Só temos um caixa eletrônico na rodoviária que nem sempre está funcionando. Essa é uma reivindicação antiga que deveria ser uma prioridade. Para fazermos um depósito, um saque ou pagarmos uma conta, precisamos ir até Goitacazes. Isso é um absurdo”.
Francisco Assis, 61 anos, professor de Educação Física.

Respostas:
Sempre respeitando o princípio do contraditório, o jornal Terceira Via entrou em contato por e-mail com a Prefeitura de Campos e questionou sobre o abandono, os problemas na saúde, no transporte público, na rede de esgoto e também sobre a distritalização, mas não obteve resposta. Ainda assim, o jornal aguarda e publicará a nota assim que for encaminhada.

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